Esta edição diz o que o mercado está oferecendo. O que fazer com isso depende do seu custo, do seu caixa e de quanto você já vendeu, e essa parte nenhuma publicação consegue fazer sozinha.
O trigo subiu 12,55% porque o corredor de exportação do Mar Negro está fisicamente travado, e a ameaça de escalada que veio no fim de semana anterior estendeu o prazo desse travamento. Ele arrastou o milho em 5,89%. Na sexta, Kevin Warsh estreou em Jackson Hole falando em subir juros, o dólar fechou a R$ 5,2025 e 68% da alta cambial da semana aconteceu naquele único dia. Em real, o trigo fez 13,88% e o milho 7,15%. Com a série de 2021 em diante, agora dá para medir o outro lado: os fundos estão na nona maior posição comprada de milho e na décima primeira de soja em 295 semanas, e a perna comprada do milho é a maior de todas as 295. Enquanto isso, o porto paga R$ 18,12 por saca acima de Chicago para outubro e cobra R$ 1,49 de desconto para abril de 2027. O financeiro comprou a tese climática. O físico ainda não. E o produtor, com a safra nova 36% vendida contra 40% de média, escolheu o lado do financeiro.
O que cada mercado oferece hoje e o evento que muda essa leitura. Cada linha é desenvolvida no bloco correspondente, com números de 28 de agosto. Não é indicação de operação: tamanho, momento e forma de executar dependem do seu custo, do seu caixa e de quanto já foi comercializado.
| Frente | Referência de 28/08 | O que o mercado oferece | O que muda a leitura |
|---|---|---|---|
| Soja | Paranaguá a R$ 159,76, alta de 3,96% na semana | Prêmio de exportação de R$ 17,78 por saca na safra atual contra desconto de R$ 1,49 na safra nova, um vão de R$ 19,61 | China desacelerar a compra americana, ou o prêmio de março a maio sair do negativo |
| Milho | Disponível a R$ 69,51, com Janeiro 27 a R$ 81,19 | Carrego remunerado só até maio de 2027, com sobra máxima de R$ 7,78 em janeiro. Julho virou negativo | USDA convergir com o Pro Farmer em setembro, ou o etanol de milho perder ritmo de moagem |
| Trigo | Setembro 26 a US$ 7,6700, maior alta do painel | Alta é corredor travado, não quebra de safra. A Conab cortou a produção brasileira em 26,2% e 97% da lavoura ainda está no campo | Retomada dos embarques de Novorossiysk, ou 350 mm sobre a lavoura do Sul |
| Câmbio | Prêmio de 0,589% ao mês até julho de 2027 | Pouco mais da metade do carrego da Selic. O cupom cambial subiu 7,6 pontos-base na semana | Cupom cambial passar de 6,50% ao ano, ou o payroll de sexta confirmar a tese de Warsh |
| Nitrogenados | Ureia a US$ 440 CFR, alta de 2,33% na semana | Alta em dólar e 3,54% em real. A relação de troca melhorou porque o grão subiu, não porque o insumo caiu | Brent voltar de US$ 88 para a casa dos 100, ou o tender indiano sair abaixo de US$ 435 |
| Fosfatados e potássicos | MAP a US$ 850 e cloreto a US$ 380 | MAP parado pela primeira vez em seis semanas. Só cloreto e superfosfato simples ficaram mais baratos em real | Negócios de MAP abaixo de US$ 840, ou o câmbio devolver a alta da sexta |
A amplitude entre os extremos foi de 19,01 pontos percentuais, contra 5,63 na semana anterior. Ela mais que triplicou, e mudou de natureza: na Edição 05 os treze ativos fecharam no positivo, nesta quatro fecharam no negativo e o painel se partiu em dois. De um lado os cereais puxados por oferta física, de outro a energia devolvendo prêmio de guerra, com o Brent em queda de 6,46%.
Na janela de trinta dias o desenho é outro e vale mais: o açúcar acumula 21,04%, o trigo 15,04% e o milho entre 11,42% e 11,49%, enquanto a soja soma 5,36%. A divergência entre os dois grãos que apontamos na Edição 05 não se fechou: o vão saiu de cerca de 5,7 para 6,1 pontos percentuais°. Ela não se ampliou de forma relevante, mas resistiu a uma semana em que os dois subiram.
Há sete dias escrevíamos que a moeda tinha tirado. Nesta semana ela somou nos três grãos ao mesmo tempo, entre 1,23 e 1,34 ponto percentual. O trigo, que em dólar fez 12,55%, chegou a 13,88% em real. O milho de dezembro saiu de 5,56% para 6,81% e a soja de novembro de 3,91% para 5,15%.
Mas a distribuição no tempo é o que importa, e ela é anômala. O dólar ficou de lado até quinta, quando implicava R$ 5,1607, e fechou a R$ 5,2025 depois do discurso de Jackson Hole. Sessenta e oito por cento da alta cambial da semana aconteceu na sexta-feira. Não foi fluxo acumulado nem notícia brasileira, foi um evento de meia hora em Wyoming.
Quando o ganho em real depende de um único pregão, ele é frágil na mesma medida em que foi rápido. A conta que sobreviveu à semana passada foi a do grão, não a da moeda, e é ela que segue governando a receita. O câmbio adicionou 1,3 ponto em média, o trigo adicionou 12,5.
O indicador de Paranaguá subiu 3,96% na semana, para R$ 159,76, e o salto veio quase todo na sexta, com alta de 3,04% em um dia. A série diária mostra o desenho: 153,86, 153,70, 154,57, 155,05 e então 159,76. Em dólar, o indicador saiu de US$ 29,89 para US$ 30,71.
| Prêmio FOB Paranaguá | 21/08¢/bu sobre CBOT | 28/08¢/bu sobre CBOT | Em realR$ por saca° |
|---|---|---|---|
| Setembro 26 | +150 | +155 | +17,78 |
| Outubro 26 | +153 | +158 | +18,12 |
| Novembro 26 | +120 | +125 | +14,34 |
| Março 27 | −13 | −10 | −1,15 |
| Abril 27 | −16 | −13 | −1,49 |
| Maio 27 | −13 | −11 | −1,26 |
Esta é a informação mais importante da edição, e ela não está no preço de tela. O prêmio de exportação subiu em todos os embarques, mas o formato da curva não mudou: a safra atual paga R$ 17,78 a R$ 18,12 por saca° acima de Chicago e a safra nova cobra desconto de R$ 1,15 a R$ 1,49°. O vão entre outubro de 2026 e abril de 2027 é de R$ 19,61 por saca°.
Quem paga esse prêmio é quem precisa carregar o navio. O comprador do grão brasileiro está pagando ágio pelo que existe e cobrando desconto pelo que ainda vai ser plantado. Em linguagem de mesa, o mercado físico de exportação está precificando safra 2026/27 cheia. Isso é evidência, não confirmação: prêmio de safra nova nove meses antes do embarque é uma opinião com dinheiro, não um fato consumado.
O embarque confirma o mesmo lado. A ANEC registra 2.346.945 toneladas na semana de 23 a 29 de agosto, alta de 10,6% sobre a semana anterior, e o mês de agosto fecha em 10,25 milhões de toneladas, o maior agosto da série de dez anos, com folga de 2,1 milhões sobre o segundo colocado. No acumulado do ano são 94,87 milhões de toneladas, também o maior janeiro a agosto em dez anos, 7,7% acima de 2025. O farelo acompanha, com 17,76 milhões no ano e o maior agosto da série.
O produtor brasileiro está com a safra nova cerca de 36% comercializada, contra média de 40% da safra anterior. Quatro pontos percentuais de atraso equivalem a aproximadamente 7,6 milhões de toneladas seguradas a mais que a média°, ou 126 milhões de sacas. Ao indicador à vista de sexta isso dá ordem de grandeza de R$ 20,1 bilhões°, e o cálculo serve só de escala, porque venda antecipada se faz a preço futuro e não à vista.
A tese do El Niño ainda não está no preço da soja, e é isso que o formato da curva de prêmio mostra. Se o mercado físico estivesse precificando quebra brasileira, o prêmio de março a maio de 2027 não estaria negativo. Ele está, e continua negativo depois de uma semana em que o clima dominou o noticiário. O desconto da safra nova é estrutura normal de ano-safra, não é veredito sobre o El Niño. O comprador do grão simplesmente ainda não repreciou.
Quem está posicionado na tese são os fundos, e eles estão sozinhos nela. A compra é em milho e soja ao mesmo tempo, é dinheiro novo e não recompra, e o que ela precifica é a combinação de El Niño com quebra americana confirmada pelo Crop Tour, e possivelmente com quebra brasileira à frente. O mercado financeiro se antecipou ao mercado físico. Isso não quer dizer que ele esteja errado, porque antecipar é a função dele. Quer dizer que hoje só existe um lado apostando, e ele é o lado que pode sair rápido.
Para quem segura soja, a conta é esta. Se a tese confirmar, o físico reprecifica depois e quem segurou ganha duas vezes, no grão e no prêmio de porto que hoje é desconto. Se não confirmar, os fundos desmontam e o preço cai sem que o físico tenha subido antes para amortecer. A janela que decide é janeiro a março, e fevereiro é o mês que mais pesa, o que significa carregar posição descoberta até lá. E carregar ficou mais caro: a inadimplência da carteira agro da Caixa saltou de 7,02% para 20,74% em doze meses, o que aparece no bloco 09. Segurar grão consome capital de giro, e o preço desse capital está subindo.
O carrego encurtou. A Edição 05 publicou remuneração até julho de 2027. Nesta semana o julho virou negativo em R$ 0,33 e a janela que paga vai só até maio. O ponto ótimo segue em janeiro, mas a sobra caiu de R$ 8,65 para R$ 7,78 por saca, porque o disponível subiu 2,37% e o Janeiro 27 subiu 1,03%.
| Milho na B3 | 21/08R$/saca | 28/08R$/saca | Sobra 28/08depois do carrego° |
|---|---|---|---|
| Setembro 26 | 71,55 | 71,53 | +1,26 |
| Novembro 26 | 77,12 | 78,03 | +6,21 |
| Janeiro 27 | 80,36 | 81,19 | +7,78 |
| Março 27 | 81,46 | 82,94 | +7,91 |
| Maio 27 | 79,55 | 81,40 | +4,71 |
| Julho 27 | 77,44 | 78,05 | −0,33 |
| Setembro 27 | 77,30 | 78,43 | −1,68 |
Em Chicago o Setembro saiu de US$ 4,8350 para US$ 5,1200 e o Dezembro de US$ 5,0825 para US$ 5,3650. Convertido, o Setembro equivale a US$ 12,09 por saca, ou R$ 62,92°. Com o ESALQ em R$ 69,51, o físico brasileiro segue acima da paridade de Chicago, mas a folga caiu de R$ 9,18 para R$ 6,59 em uma semana°.
O Pro Farmer fechou a produtividade americana em 181,2 sacas por hectare contra 189,0 sacas do USDA°, e o Crop Progress da semana confirmou por outro caminho, cortando a lavoura em condição boa e excelente de 60% para 57%. A soja do Pro Farmer, ao contrário, veio acima do oficial. A divergência é só no milho, e é isso que explica por que o milho subiu 5,89% e a soja 3,91%.
A Conab revisou o milho para cima no 11º levantamento, de 141,7 para 143,0 milhões de toneladas, com a primeira safra em alta de 18,2% no ano. É recorde. E ao mesmo tempo o embarque de janeiro a agosto é o sexto pior em dez anos, 14,2% abaixo de 2025, com agosto em 5,45 milhões de toneladas contra 7,34 milhões no ano passado, queda de 25,7%. Safra recorde com preço interno alto e exportação fraca não é contradição, é o etanol de milho consumindo a safra antes do porto. Há também calendário: a colheita da segunda safra está em 78,2% contra 83,7% no ano passado.
| Destino da exportaçãojaneiro a julho de 2026 | Soja | Milho | Trigo |
|---|---|---|---|
| China | 71% | 4% | · |
| Irã | 3% | 30% | · |
| Egito | · | 14% | · |
| Vietnã | 2% | 14% | 20% |
| Arábia Saudita | · | 7% | 13% |
| Quênia | · | · | 24% |
E há um dado de concentração que raramente aparece. O maior comprador de milho brasileiro não é a China, é o Irã, com 30%. Somados a Egito e Arábia Saudita, três compradores do Oriente Médio e Norte da África respondem por 51% do milho embarcado, todos expostos a sanção, crédito e frete no Mar Vermelho. A China é apenas 4% do milho brasileiro, contra 71% da soja. A narrativa de dependência chinesa vale para um grão e não vale para o outro, e são duas geopolíticas completamente diferentes dentro da mesma lavoura.
Três medidas independentes apontam para o mesmo lugar: o preço à vista acima da paridade de exportação, a curva da B3 encurtando o carrego e o embarque no pior ritmo em anos. As três descrevem aperto de disponibilidade doméstica, não fartura, mesmo com a maior safra já colhida. A alta de Chicago chega ao Brasil pela via da paridade, não pela via da demanda de exportação, e é por isso que o repasse ao físico foi de menos da metade.
O trigo foi a maior alta do painel, com 12,55% no Setembro 26 e 9,69% no Julho 27. A causa é logística, e ela é física e mensurável: o corredor de exportação do Mar Negro está travado. Os embarques russos de agosto rodam perto de 2,5 milhões de toneladas, menos da metade do ritmo sazonal de cinco anos e o agosto mais fraco desde 2016/17, com a SovEcon cortando a projeção do mês para 1,9 milhão. A Ucrânia embarcou 201,7 mil toneladas, queda de 76% na comparação anual. Os dois países respondem por quase 30% das exportações mundiais projetadas para 2026/27, e essa oferta não está saindo.
Isso é o preço. O que a semana acrescentou foi prazo. Os ataques de drones aos terminais de Novorossiysk são de duas semanas atrás e já estavam absorvidos. No sábado 22, Putin disse que o regime de Kiev "abriu essa caixa de Pandora por conta própria" e prometeu "uma resposta direcionada aos seus setores econômicos mais sensíveis", e na quarta 26 um relato de que a Rússia prepara escalada no Mar Negro pôs o trigo de Chicago no limite de alta de 45 centavos nos meses da frente, com Kansas de 17 a 38 e Minneapolis de 16 a 28. As duas bolsas ampliaram o limite diário para 70 centavos na quinta, e o dezembro foi à máxima de três anos. Ampliar limite é o mercado admitindo que não sabe onde o preço para.
A distinção importa para quem vai operar. A ameaça não criou a falta de trigo, ela alongou a expectativa de quanto tempo a falta vai durar. Bloqueio logístico se desfaz quando os navios voltam a carregar, e isso é verificável semana a semana no embarque. Prêmio construído sobre promessa de retaliação se desfaz no dia em que a retaliação não vem.
Confirmação: o embarque travado. São toneladas medidas, e é a parte da alta que tem lastro físico. Rumor: a retaliação prometida e o relato de escalada, que ainda não produziram nenhum ataque novo a terminal de grão confirmado na semana. E houve movimento na direção oposta que o mercado ignorou: na terça 25 o diretor da CIA, John Ratcliffe, chegou a Moscou em visita não anunciada, a primeira desde 2021. Diplomacia e ameaça de escalada aconteceram na mesma semana, e o preço só comprou a escalada. A parte da alta que veio da logística tem chão. A que veio do rumor não tem, e é ela que sai primeiro se os navios voltarem a carregar.
| Chicago contra Kansas | Líquida 25/08Managed Money | Semanavariação | Percentil295 semanas° |
|---|---|---|---|
| Trigo SRW · Chicago | −14.171 | +12.314 | 71,9% |
| Trigo HRW · Kansas | +44.062 | +9.227 | 86,4% |
| Trigo HRSpring · Minneapolis | +13.685 | +2.022 | 82,4% |
A régua longa desfaz uma frase que estava para ser escrita. Desde 2021, o Managed Money ficou líquido comprado em Chicago em apenas 54 das 295 semanas, 18% do tempo, com máximo de 31.803 contratos. Estar vendido em trigo de Chicago é o estado normal desse mercado, e os −14.171 de hoje já estão no terço superior da própria distribuição. Em Kansas, onde o open interest cresceu 35,1% desde 2021, a contagem exagera: corrigido pelo tamanho do mercado, o percentil cai de 86,4% para 77,3%.
A posição é de terça 25 de agosto. Relatos de mesa indicam que os fundos compraram cerca de 18 mil contratos de trigo de Chicago durante o rali de quarta a sexta, quando o contrato de dezembro trabalhou em máxima de três anos com limite de alta em pregões consecutivos. Somado aos −14.171, isso projetaria a líquida para perto de +4.000, território que Chicago visitou pouquíssimas vezes desde 2021. Isto é estimativa, não é dado. O relatório de sexta que vem é quem confirma.
E aqui entra a parte brasileira, que nenhuma fonte internacional vai escrever. A Conab cortou a safra brasileira de trigo para 5.813,1 mil toneladas no 11º levantamento, queda de 26,2% contra 2025 e de 3,5% só desde julho. A área caiu para 1.946,8 mil hectares, 20,4% menor no ano e cortada mais 4,4% em um mês. O corte veio de área, não de lavoura ruim: a produtividade subiu 0,9% desde julho.
E a Argentina é o último colchão que sobrou, com uma trinca. A Bolsa de Rosario reporta 98% da lavoura em condição muito boa a excelente, mas o cultivo está 10 a 15 dias adiantado e o medo declarado dos técnicos é fusarium, com ferrugem e mancha amarela já detectadas. A oferta mundial aperta de todos os lados ao mesmo tempo: Mar Negro rompido, União Europeia enfraquecida por calor e seca, área americana historicamente baixa e Brasil cortado em 26,2%.
Só 3,3% do trigo brasileiro foi colhido, e 33,6% está em floração ou enchimento de grão, as duas fases em que chuva e geada custam mais caro. Sobre essa lavoura chegam 200 a 350 milímetros entre 29 de agosto e 1º de setembro no norte do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com modelos passando de 350, e setembro projetado abaixo da média de temperatura no Sul, com risco declarado de geada tardia. A chuva no Rio Grande do Sul desde julho já está no maior nível em dez anos. O risco é de qualidade, não só de quantidade, e a referência que o setor cita é 2023. O Brasil já exporta 34,3% menos trigo no ano, sem embarque desde abril. Se a qualidade cair agora, o país vira comprador de trigo de panificação dentro de um mercado global que já tem prêmio de risco embutido e com o real mais fraco.
| Curva DOL | 28/08R$ | Semanavariação | Prêmiosobre o spot° |
|---|---|---|---|
| Spot | 5,2025 | +1,19% | · |
| Setembro 26 | 5,2085 | +1,20% | +0,12% |
| Dezembro 26 | 5,3045 | +1,17% | +1,96% |
| Março 27 | 5,3940 | +1,10% | +3,68% |
| Julho 27 | 5,5285 | +0,99% | +6,27% |
| Outubro 27 | 5,6350 | +0,95% | +8,31% |
A curva subiu inteira, mas subiu menos nos vencimentos longos do que no spot, e por isso o prêmio comprimiu de novo. O carrego até julho de 2027 saiu de 0,595% para 0,589% ao mês°. Contra o carrego da Selic de 1,098% ao mês, a diferença abriu para 0,509 ponto. O gatilho declarado na Edição 05 era a curva superar 0,8% ao mês. Não disparou, e a curva foi na direção oposta.
O diferencial nominal é enorme e a favor do Brasil: Selic a 14,00% contra Fed funds em 3,50% a 3,75%, uma diferença de 10,38 pontos percentuais. Se fosse só carrego, o dólar não sairia. O que a nossa curva mede é outra coisa: o cupom cambial implícito subiu de 6,17% para 6,24% ao ano°, alta de 7,6 pontos-base em uma semana. Cupom subindo é o preço de tomar dólar emprestado dentro do Brasil ficando mais caro, ou seja, moeda mais escassa aqui dentro. A direção confirma a tese. A intensidade não: sete pontos-base é sinal fraco, não deslocamento.
Gatilho declarado. Se o cupom cambial passar de 6,50% ao ano, a saída de dólar deixa de ser leitura de mercado e vira fato medido. Se voltar abaixo de 6,10%, o movimento desta semana foi o discurso de Warsh e não fluxo.
Nota de método. Três cotações circularam para o mesmo dia: R$ 5,196 no fechamento de pregão, R$ 5,2040 às 16h18 e R$ 5,2022 implícito no indicador CEPEA. Não são fontes em conflito, são fixings diferentes. Adotamos o implícito no CEPEA porque a Edição 05 publicou 5,1414 pela mesma régua, e trocar de fonte quebraria a comparabilidade de todas as colunas em real.
Na Edição 05, com o dólar caindo 1,53%, um insumo só ficava mais caro em real se subisse mais de 1,55% em dólar. Nesta semana a régua inverteu: com o dólar subindo 1,19%, um insumo só ficou mais barato em real se caiu em dólar. Apenas dois conseguiram, o cloreto de potássio com queda de 1,30% e o superfosfato simples com 2,08%.
A ureia foi a US$ 440, alta de 2,33% em dólar e 3,54% em real, com faixa indicada de 435 a 445, resistência forte em 450 e o sentimento migrando para essa casa. O sulfato de amônio subiu para US$ 225. O MAP ficou parado em US$ 850, com bids a 830 e negócios de 10 mil toneladas fechados no nível cheio, e o superfosfato triplo em US$ 690. O cloreto foi repercutido a US$ 380, com relatos de negócios abaixo disso.
| Relação de troca° | Soja 21/08sacas por tonelada | Soja 28/08sacas por tonelada | Milho 28/08sacas por tonelada |
|---|---|---|---|
| Sulfato de amônio | 7,36 | 7,33 | 16,84 |
| Ureia | 14,39 | 14,33 | 32,93 |
| Nitrato de amônio | 12,71 | 12,37 | 28,44 |
| MAP 11-52-00 | 28,44 | 27,68 | 63,62 |
| Superfosfato triplo | 23,08 | 22,47 | 51,64 |
| Cloreto de potássio | 12,88 | 12,37 | 28,44 |
Todas as relações de troca melhoraram de novo, e por um motivo diferente do da semana passada. Não foi o insumo que caiu, foi o grão que subiu. Essa distinção importa porque relação de troca que melhora pela perna do grão desfaz junto com o grão. O Brent em queda de 6,46% tira pressão de custo dos nitrogenados à frente, e o gatilho de alta declarado na Edição 05, Brent acima de US$ 100, andou 6,46% na direção contrária.
No balcão interno a ureia cedeu em todas as praças acompanhadas, de R$ 3.192,00 em Cascavel a R$ 3.246,00 em Sorriso por tonelada. O balcão ainda não repassou a alta de US$ 10 no CFR, e essa defasagem é a janela de quem precisa comprar.
O índice Niño 3.4 marcou +2,195 °C na leitura CDAS de 00z de 29 de agosto, e não é pico isolado: está acima de 2,0 °C desde o fim de julho, quase um mês de platô. O CFSv2 mantém núcleo acima de +3 K no Pacífico equatorial tanto em setembro a novembro quanto em novembro a janeiro. O modelo não enfraquece o evento na janela reprodutiva brasileira.
E há um fato novo, que é o mais importante do bloco: a atmosfera acoplou. O Índice de Oscilação Sul está em −22, tendo chegado a −27,8 em 1º de agosto, contra um limiar de acoplamento entre −7 e −10. A leitura não é atualizada desde 10 de agosto, então é dado defasado. Ainda assim, é a diferença entre um oceano quente e um evento que efetivamente move o tempo.
Um estudo publicado nesta semana pela AgResource Brasil foi atrás de uma pergunta simples: nos últimos quarenta e sete anos, quanto o El Niño de fato tirou da soja brasileira? Olhou o rendimento de 14 estados desde 1976, descontou o ganho de tecnologia e comparou com a intensidade de cada evento.
A resposta é que, no país inteiro, não tirou nada. O efeito médio nacional deu exatamente zero, e a chance de esse zero ser coincidência é de 97 em 100. Nenhum estado, sozinho, mostra um efeito que resista a um teste rigoroso. O que aparece é um desenho geográfico, e ele é o esperado: quanto mais ao sul, melhor a safra, e quanto mais ao norte, pior. O El Niño molha o Sul e seca o MATOPIBA.
E aí vem a parte incômoda. Os autores congelaram o modelo em 2022 e testaram no El Niño forte seguinte, o de 2023/24, para ver se ele acertava. Ele errou o mapa quase inteiro. A relação entre o que o modelo previu e o que aconteceu deu −0,57, ou seja, negativa: na média, ele apontou para o lado contrário. Previu perda no MATOPIBA e alívio no Sul. O que aconteceu foi o contrário: Piauí terminou 16,7% acima da média e Maranhão 12,2% acima, enquanto São Paulo perdeu 28,2% e Mato Grosso do Sul 18,7%. Onde o modelo esperava quebra, houve safra boa, e onde esperava alívio, houve quebra.
Para Mato Grosso, que é a régua da Edição 05, o coeficiente é de −1,6 log point por °C na amostra cheia e −2,7 na janela pós-2000, e nenhum dos dois passa no filtro. Com ONI a +2 °C isso projeta algo entre −3,1% e −5,3% de rendimento. É risco real e modesto, não é quebra. Contra a safra 2025/26 confirmada pela Conab em 180,46 milhões de toneladas, só o análogo de 2015/16 produz safra menor que a atual, e por 3,7%. O análogo de 2023/24, com 179,8 milhões, é uma safra praticamente idêntica à que acabou de ser colhida.
Cinco fontes independentes descrevem o mesmo mecanismo para o Cerrado: a chuva começa e não sustenta. Uma delas situa o corte entre outubro e novembro, com veranicos longos e muito calor. A outra diz que a janela que decide é janeiro a março, e fevereiro é o mês que mais pesa. Não se contradizem, porque falam de riscos diferentes. Veranico em outubro é risco de calendário: ameaça estande, força replantio e empurra a safrinha, com consequência em basis, prêmio e curva do milho. Fevereiro é risco de produção, e a consequência é o número da safra de soja. Em uma linha: o que acontece em setembro e outubro define quando a safra entra e quando a safrinha sai, o que acontece em fevereiro define quanto ela produz.
No Sul, o quadro imediato é outro. Os boletins convergem em 200 a 350 milímetros entre 29 de agosto e 1º de setembro, com modelos passando de 350 no Vale do Itajaí, e setembro vem abaixo da média de temperatura no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com risco declarado de geada tardia. Nos Estados Unidos, o cinturão leste teve uma das safras mais úmidas já medidas, e os scouts encontraram podridão de coroa, stands fracos e perda de nitrogênio por lixiviação. É a explicação física do que o Crop Tour mediu.
Até a Edição 05, percentil e z-score eram calculados sobre as 26 semanas de 2026 que vinham no arquivo corrente. Essa janela era curta e direcional, e ela errava nos dois sentidos. A partir desta edição a régua passa a ser a série Disaggregated Futures-and-Options Combined de 5 de janeiro de 2021 a 25 de agosto de 2026, 295 semanas. A tabela em Legacy sai de vez. O melhor exemplo do defeito é o trigo de Minneapolis: na janela curta ele aparecia no percentil 50, leitura de neutralidade absoluta, e na régua longa está em 82,4%. A janela de 26 semanas continha o próprio recorde do contrato, e por isso o valor de hoje parecia mediano.
| Managed Money · 25/08 | Líquidacontratos | Semanavariação | Percentil295 semanas° |
|---|---|---|---|
| Milho | +376.513 | +126.008 | 97,3% |
| Soja | +198.254 | +46.592 | 96,6% |
| Trigo HRW · Kansas | +44.062 | +9.227 | 86,4% |
| Trigo HRSpring | +13.685 | +2.022 | 82,4% |
| Trigo SRW · Chicago | −14.171 | +12.314 | 71,9% |
Milho e soja são os dois extremos, e estão empatados. Ambos com z de +1,40 e com a razão entre líquida e open interest no percentil 89,2. O milho está na nona maior posição em 295 semanas e a soja na décima primeira. A alta de 126.008 contratos do milho está no percentil 99,7 das 294 variações semanais: em cinco anos e meio, só uma semana teve alta maior. A líquida do milho está a 25.480 contratos do máximo do período, e do fundo de julho de 2024 até hoje são 730.496 contratos de virada.
A decomposição diz de onde veio. No milho, 89.470 contratos de compra nova contra 36.538 de recompra de vendido, 71% contra 29%. Na soja a proporção é ainda mais limpa, 90% contra 10%. Não é short covering, é dinheiro novo montando posição.
A líquida do milho é a nona maior, mas a perna comprada, de 465.500 contratos, é a maior das 295 semanas°. Não é a nona, é a primeira. A líquida fica em nono lugar apenas porque no pico de abril de 2021 a perna vendida era de 26.961 contratos contra 88.987 hoje. Em compra bruta, o Managed Money nunca esteve tão comprado em milho desde pelo menos 2021. Isso mede convicção melhor que a líquida, porque a líquida mistura quem comprou com quem apenas parou de vender.
Os fundos não estão comprados em um grão. Estão comprados nos dois ao mesmo tempo e com a mesma intensidade, o que em cinco anos e meio aconteceu pouquíssimas vezes. Posição cheia não é sinal de venda nem de compra, é medida de fragilidade: ela diz quanto do movimento recente depende de dinheiro que pode sair. E há uma ressalva que a régua longa impõe: a soja fica líquida comprada em 76% das semanas do período, então percentil alto pesa menos nela do que pesaria num mercado simétrico. No milho, que fica comprado em 59% das semanas, o mesmo percentil pesa mais.
| Segunda 31 | Boletim Focus, às 8h25. Alemanha, CPI de agosto, às 9h. Relatório de condições das lavouras do USDA, às 17h, o primeiro depois do corte de 60% para 57% no milho. |
| Terça 1º | Zona do Euro, CPI de agosto, às 6h. PIB do Brasil no segundo trimestre pelo IBGE, às 9h, com o Focus já tendo cortado a projeção anual para 1,95%. |
| Quarta 2 | Produção industrial de julho no Brasil, às 9h. Livro Bege do Federal Reserve, às 15h, a primeira leitura regional depois de Jackson Hole. |
| Quinta 3 | Zona do Euro, PPI de julho, às 6h. Estados Unidos, balança comercial de julho, às 9h30. Export Sales do USDA, com o peso da China no total de soja de safra nova. |
| Sexta 4 | Relatório de emprego de agosto nos Estados Unidos, às 9h30. É o teste da tese de Warsh: emprego forte com inflação em 3,7% tira a probabilidade de alta de setembro da faixa de 55% a 59% e empurra para cima. Balança comercial de agosto do MDIC, às 15h. |
| Semana | Desdobramentos em Novorossiysk e no corredor do Mar Negro. Chuva de 200 a 350 milímetros sobre a lavoura de trigo do Sul entre sábado e terça, com risco de geada tardia na sequência. Relatório da CFTC de sexta, que confirma ou desmente a compra estimada de 18 mil contratos de trigo. |
Você acabou de ler que os fundos estão na nona maior posição comprada de milho em cinco anos e meio, que o porto paga R$ 18,12 por saca acima de Chicago pela safra velha e cobra R$ 1,49 de desconto pela nova, e que a safra nova está 36% vendida contra 40% de média. Tudo isso é verdade para o mercado. Nada disso é uma decisão até ser aplicado à sua posição.
Os dois lados dessa mesa têm dinheiro e informação. O que decide de que lado você está não é a leitura, é o seu custo por saca, a data em que o seu caixa aperta e quanto você já comprometeu. Esse número é seu, é único, e a gente calcula com você.