Leitura semanal de mercado de grãos, câmbio, posição de fundos, insumos, energia e clima. Todo número com data de referência e fonte declarada.
A soja de Chicago perdeu 2,46% na semana mesmo com a China comprando 1,36 milhão de toneladas em três dias, e o milho e o trigo caíram junto. No dia em que a bolsa rompia a média de cinquenta dias, o primeiro levantamento oficial da safra 2026/27 disse recorde: 181,6 milhões de toneladas de soja e 148,0 milhões de milho. O dólar subiu 1,75% e amorteceu a queda em real, mas segue 2,8% abaixo de antes do primeiro turno. E o milho brasileiro caiu R$ 2,50 por saca com Chicago e câmbio a favor, porque a conta que decide agora é a de dentro.
leitura de mercado pra quem decide · Análise por Jonas Oliveira · Conte$to Agro, Avaré, SP
Onze dos dezesseis fecharam a semana no vermelho, e dez dos onze são grão, óleo de soja incluído. Os cinco no verde são café, petróleo, açúcar, arroz e boi, ou seja, o que o Brasil vende e não compete com a colheita americana.
A soja apanhou mais do que o milho, e isso é novidade
Na semana anterior o milho tinha sido o pior do painel. Nesta, a ordem inverteu em Chicago. A soja de novembro perdeu 2,46% e a de maio de 2027 perdeu 2,62%, enquanto o milho de dezembro cedeu 1,15% e o de março 1,52%. O trigo de dezembro caiu 1,56%, e o óleo de soja, que na semana anterior tinha sido o único grão no verde, caiu 1,15% e 4,37% no mês.
No Brasil, a leitura é outra. O milho da B3 pelo novembro perdeu 2,81%, mais do que o dezembro de Chicago, e o março de 2027, que é a referência da safra de verão, perdeu só 0,65%, fechando a R$ 76,03 por saca. A curva brasileira de milho abriu: o vencimento curto apanhou e o longo segurou, o que diz que a pressão é de grão disponível agora, não de safra que vem.
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Em trinta dias a conta é bem pior em todos os milhos. Novembro da B3 perdeu 12,38%, dezembro de Chicago 11,48%, março de Chicago 11,59% e março da B3 7,27%. O trigo de dezembro perdeu 9,30% no mês e o de julho de 2027, que é o da próxima safra americana, 8,90%.
A energia e os softs foram para o outro lado
O Brent subiu 4,91% na semana e fechou em US$ 109,86, dentro de um acumulado mensal de 4,81%. Ou seja, o mês inteiro do petróleo aconteceu nesta semana, e o bloco de energia conta por quê. O petróleo americano subiu 10,41% e voltou acima de cem dólares.
O café subiu 6,50% na semana e 10,52% no mês, o açúcar 2,96% e 13,81%, e o arroz 2,24% e 9,69%. São três altas de dois dígitos no mês em produtos que o Brasil vende. O algodão caiu 0,67% e 2,64%, o gás natural caiu 3,23% na semana sobre alta de 7,41% no mês, e o boi gordo de outubro na B3 subiu 0,15% na semana e 2,14% no mês.
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O dólar à vista subiu 1,75% na semana, de R$ 4,99 para R$ 5,07. Ele fica fora do painel de propósito, porque não é mais um item: ele multiplica todos os outros. Nesta semana ele multiplicou a favor, depois de ter multiplicado contra, e muito mais forte, na semana anterior. O bloco seguinte mede o que sobrou dessa ajuda no preço do produtor, que na soja foi um amortecedor e no milho não foi nada.
O indicador da soja em Paranaguá saiu de R$ 154,75 para R$ 154,61 por saca entre 9 e 16 de outubro. Catorze centavos. Na semana anterior, a saca tinha perdido R$ 5,20.
A soja de Chicago caiu 2,46%. Sozinha, essa queda tiraria R$ 3,81 da saca. O dólar subiu 1,75% e amorteceu R$ 2,64. ° O mercado físico brasileiro, prêmio de porto e disputa entre indústria e exportador, segurou mais R$ 1,03. Em duas semanas, porém, a conta é outra: na de 2 a 9 de outubro o câmbio tinha tirado perto de R$ 7 da saca, ° e o que ele devolveu agora é pouco mais de um terço disso. O produtor de soja está R$ 5,34 por saca abaixo de onde estava antes do primeiro turno, e quase tudo isso é câmbio.
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O milho é a mesma conta com o sinal trocado
O indicador do milho saiu de R$ 67,35 para R$ 64,85, perda de R$ 2,50 por saca. Chicago tirou R$ 0,77 e o dólar somou R$ 1,17. ° As duas pernas de fora, somadas, davam mais R$ 0,39. O preço caiu R$ 2,50. O mercado brasileiro tirou R$ 2,89 sozinho, sete vezes o que as pernas externas tinham dado.
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O trigo do Paraná fechou a semana em R$ 1.571,18 por tonelada, alta de 0,54%. Chicago caiu 1,56% e o dólar subiu 1,75%, o que somado daria 0,16%. O físico colocou mais 0,38 ponto por cima, e a razão está no bloco do trigo: a safra nacional encolheu 27% e o moinho está comprando o que existe.
Por que a soja empatou e o milho não
A diferença não está no câmbio nem em Chicago. Está em quem compra. Na soja, a indústria disputa o grão disponível com o exportador, e o porto seguiu pagando acima do indicador. No milho, ração e etanol compram da mão para a boca, e o bloco do milho mostra por quê.
Mesmo na soja a liquidez foi baixa: cerca de 400 mil toneladas de safra atual e outras 400 mil de safra nova negociadas na semana, pouco para um país que vai colher 181 milhões.
Chicago caiu nos dois grãos e o câmbio foi o mesmo para os dois. O que separou a soja do milho foi o mercado físico brasileiro: ele somou R$ 1,03 na saca de soja e tirou R$ 2,89 na de milho. ° Em semana em que bolsa e câmbio se anulam, quem decide o preço do produtor é quem compra aqui.
A soja de novembro em Chicago fechou a sexta em 1.261 centavos, o menor fechamento desde o fim de agosto, depois de romper na quinta a média de cinquenta dias pela primeira vez em dois meses. O maio de 2027, que referencia a safra brasileira, fechou em 1.292.
Pesaram juntos a colheita americana, que saiu de 46% para perto de 60% da área em uma semana, o esmagamento de setembro abaixo do esperado e a safra recorde brasileira. Nenhum é novo. A novidade é que vieram juntos, numa semana em que a China comprava.
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A China comprou 1,36 milhão de toneladas em três dias
Foram 470 mil toneladas na quarta, 330 mil na quinta e 558 mil na sexta, todas registradas para a China, mais 519 mil para destino não declarado nos mesmos três dias. Somando, 1,9 milhão de toneladas em três pregões. Há relato de mais vinte cargas negociadas na sexta ainda não registradas.
Com isso a China chega a 12,63 milhões de toneladas registradas oficialmente, 50,5% do compromisso de 25 milhões: 11,27 milhões no relatório semanal até 8 de outubro, mais 1,36 milhão das vendas relâmpago de 14 a 16. ° Esse é o piso. O mercado trabalha com perto de 14 milhões, e a diferença tem duas origens: as cerca de vinte cargas relatadas na sexta e ainda não registradas, perto de 1,3 milhão de toneladas, ° e os 6,16 milhões de toneladas vendidos para destino não declarado no mesmo programa, que o mercado atribui em boa parte à China. Venda sem destino vira China perto do embarque: na semana até 8 de outubro, 180 mil toneladas migraram assim. Se metade for chinesa, o total passa de 15 milhões. °
Por que a compra chinesa não segurou Chicago
Porque ela já estava no preço. O mercado trabalhava há semanas com a China cumprindo os 25 milhões, e cumprir o que se esperava não é notícia de alta. E porque a compra é de política, não de margem: a soja ficou fora da lista chinesa de 1.619 produtos com redução de tarifa, e a tarifa adicional de 10% sobre a soja americana continua de pé. Quem compra é empresa de estado, executando acordo. A fábrica particular, que olha margem, segue sem pressa.
A cobertura das esmagadoras chinesas mostra onde essa pressa vai aparecer. Dezembro está 40% contratado, janeiro 10%, fevereiro 30%, e março e abril entre 45 e 50%. Em ano normal a cobertura cai conforme o calendário avança. Aqui ela sobe, e sobe justamente quando entra nos meses em que quem embarca é o Brasil.
O esmagamento que caiu por falta de soja
O esmagamento americano de setembro veio em 5,34 milhões de toneladas, 200 mil abaixo do esperado e o menor em treze meses. O mercado vendeu o número. Por baixo dele, a queda veio de colheita atrasada pela chuva e de fábricas paradas em manutenção, não de falta de comprador.
A prova está no mesmo relatório. O estoque de óleo de soja caiu para 476 mil toneladas, o menor desde novembro de 2014, 12% abaixo de agosto e 15% abaixo de um ano antes. A margem de esmagamento está em US$ 98 por tonelada na tela e perto de US$ 147 no físico. ° Fábrica ganhando dinheiro e sem grão não é demanda fraca, é oferta atrasada.
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A safra recorde é o Rio Grande do Sul voltando
O primeiro levantamento da safra 2026/27 põe a soja em 181,62 milhões de toneladas, alta de 0,7% sobre 180,41 milhões. A área cresce 1,4%, para 49,3 milhões de hectares, e a produtividade cai 0,8%, de 61,9 para 61,4 sacas por hectare. ° O recorde é de área, não de lavoura.
Por estado, a conta é mais clara ainda. O Rio Grande do Sul sobe 1,55 milhão de toneladas, com produtividade voltando ao normal depois de um ano ruim, mais 8,1%. Mato Grosso cai 737 mil toneladas, com produtividade projetada 2,0% menor. Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas somam pouco. O ganho nacional de 1,21 milhão de toneladas é o Sul devolvendo o que perdeu, com o maior produtor do país recuando.
O balanço do mesmo levantamento tem o número que o mercado ainda não leu. Exportação projetada em 117,97 milhões de toneladas, esmagamento em 63,76 milhões, alta de 3,2%, e estoque final de 6,54 milhões em 31 de dezembro de 2027, contra 9,53 milhões neste ciclo. Queda de 31%, para o menor estoque desde 2023/24. ° Safra recorde que termina com menos soja no armazém é balanço apertando, não folgando.
Por dentro do esmagamento, o óleo explica a alta: o consumo interno de óleo de soja sobe 10,4%, para 11,63 milhões de toneladas, puxado pela mistura no diesel, e a exportação de óleo cai 26%.
Na ponta brasileira, o preço parou e o negócio também
O porto de Paranaguá pagava R$ 157 no disponível e R$ 158 para novembro na sexta, referência de praça anônima, contra R$ 154,61 do indicador. No interior, Mato Grosso disponível entre R$ 133 e R$ 140, oeste do Paraná entre R$ 140 e R$ 142, e safra nova com entrega em março perto de R$ 143. A diferença entre disponível e safra nova está em torno de R$ 10 por saca.
A comercialização da safra 2026/27 chegou a 30,4% em nível nacional no levantamento privado de outubro, à frente das cinco safras anteriores na mesma época. A de 2021/22 liderou o calendário até julho e foi ultrapassada em agosto e setembro, e é aí que está a leitura: a venda acelerou justamente nos dois meses em que Chicago operava acima de 1.320 centavos e o dólar acima de R$ 5,20. Quem fixou os dois travou nos dois lugares certos. São perto de 55 milhões de toneladas vendidas antes de a safra estar no chão, ° e o país vendeu da safra nova praticamente a mesma fração que já plantou, 30%.
O mapa da venda repete o mapa do plantio. Mato Grosso vendeu 43% da safra nova, Rondônia 42%, Tocantins 37% e a Bahia 35%. No Sul a conta é outra: o Paraná vendeu 17% e o Rio Grande do Sul 18%, e os dois ainda carregam soja velha, com 81% e 68% da safra 2025/26 comercializados. No país a safra 2025/26 está 91% vendida, o que deixa perto de 16 milhões de toneladas de soja velha sem dono ° a quatro meses da colheita nova, a maior parte no Sul. É esse estoque que o porto está comprando a R$ 157.
A soja embarcou 107,95 milhões de toneladas até outubro, contra 108,68 milhões em todo o ano de 2025. Faltam 730 mil toneladas, e novembro resolve.
A China trocou parte da soja do Brasil pela americana
A troca já está no porto chinês. Para embarque de agosto a outubro, as esmagadoras chinesas compraram 271 navios na Argentina e no Brasil, cerca de 18,2 milhões de toneladas, contra 400 navios e 26,7 milhões um ano antes. A diferença de 8,6 milhões foi coberta com soja americana, comprada pelas estatais e repassada em leilão ou esmagada direto, e o volume total para a China na janela ficou praticamente igual ao de 2025. Dos 3,8 milhões de toneladas oferecidos em nove leilões, 2,3 milhões foram vendidos, e na semana até 16 de outubro a estatal vendeu 40% de um lote de 518 mil toneladas, com outro de 504 mil marcado para terça, 20.
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Nos próximos 60 dias chegam aos portos chineses 19,5 milhões de toneladas, contra 15,4 milhões em 2025, e um terço é americano. O Brasil manda 10,8 milhões, 13% menos que um ano antes. Para embarque de novembro a abril, os Estados Unidos já têm 99 navios vendidos, perto de 6,5 milhões de toneladas, contra nenhum na mesma data de 2025, e o Brasil tem 152, cerca de 10 milhões, contra 203. A janela de fevereiro a abril, que é a da safra nova brasileira, segue pouco coberta.
Para a safra velha brasileira o efeito agora é pequeno, porque o produtor já vendeu 91% dela. O que a troca muda é 2027: a soja americana virou fornecedora regular da China no último trimestre, por leilão estatal e por esmagamento, e cada navio americano a mais em dezembro e janeiro é demanda a menos para a soja brasileira no começo da colheita.
Do outro lado da fronteira, o concorrente de abril também se mexeu. A zona núcleo argentina, o coração da soja do país, deve plantar 4,5 milhões de hectares, 2% a mais que no ciclo passado, pela estimativa de 15 de outubro. Ainda abaixo da média de quinze anos, de 5,2 milhões, mas é a primeira alta depois de uma década de queda, e com plantio adiantado em quatro a sete dias. Soja argentina colhida mais cedo chega ao porto mais perto da janela brasileira.
A China trocou 8,6 milhões de toneladas de soja sul-americana por americana entre agosto e outubro e já tem 99 navios americanos vendidos para o verão. A janela de fevereiro a abril, que é a do Brasil, segue pouco coberta, e é ali que a troca termina. Com a tarifa de 10% de pé sobre a soja americana e a trégua vencendo em 10 de janeiro, o grão brasileiro entra nessa janela mais barato que o concorrente. A pergunta não é se vai haver comprador, é a que prêmio.
O milho de dezembro em Chicago fechou a sexta em 474 centavos. A semana foi de digestão do relatório: o contrato trabalhou entre 470 e 480 e fechou abaixo da média de duzentos dias pela primeira vez no ano.
No Brasil a história é outra. O indicador caiu 3,71%, para R$ 64,85, e o novembro da B3 caiu 2,81%, para R$ 66,77. Chicago parou de cair e o Brasil não: R$ 2,89 por saca de queda doméstica.
De onde vem a queda brasileira
De três lugares. O primeiro é o estoque. O produtor brasileiro tem entre 40 e 70 milhões de toneladas de milho na mão, dependendo de quem conta. Nos dois casos é muito grão para um mercado parado.
O segundo é o comprador. Ração e etanol, os dois maiores clientes do milho brasileiro, compram da mão para a boca, pelo custo do dinheiro que o bloco do crédito mede.
O terceiro é a liquidez. Balcão parado, produtor no plantio, poucos negócios. No interior, Sorriso pagava R$ 45 a 46, Rio Verde R$ 55 e Uberlândia R$ 64 a 65 na sexta, com o porto em torno de R$ 65. O produtor também tirou o pé: vendia 2,5 milhões de toneladas por semana em julho e reduziu para 1,3 milhão na virada de outubro, com 67% do milho colhido neste ano já vendido. Em Goiás os negócios recuaram R$ 8 a 9 por saca desde as máximas de setembro, e em Mato Grosso R$ 5.
O porto finalmente começou a puxar
Aqui está a notícia boa do bloco, e ela ainda não chegou ao preço do interior. O embarque de milho programado para a semana de 11 a 17 de outubro é de 1,80 milhão de toneladas, quase o dobro das 928 mil da semana anterior. Santos sozinho carrega 724 mil, Barcarena 498 mil e Santarém 213 mil. Outubro fecha em 6,41 milhões de toneladas, contra 5,69 milhões em outubro de 2025 e 5,67 milhões em 2024.
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É o primeiro mês do ano em que o milho embarca acima do ano anterior. De janeiro a setembro o Brasil tinha exportado 19,46 milhões de toneladas, 18,7% menos que em 2025, em parte porque a soja ocupou o porto por mais tempo e o milho ficou na fila. A fila andou. O que o porto está dizendo é que a demanda externa existe e o grão está saindo, e o que o interior está dizendo é que ele ainda não sentiu, porque o comprador doméstico não voltou.
Os destinos explicam a dependência. De janeiro a setembro, Egito levou 25% do milho brasileiro, Irã 14%, Vietnã 10%, Espanha 6%, e a China apenas 5%. O comprador chinês de milho, que o mercado espera desde setembro, segue sem aparecer, e a própria estatal chinesa de grãos disse nesta semana que importar milho americano não faz sentido econômico. O Brasil embarca milho para quem precisa comer, não para quem precisa cumprir acordo.
Mesmo com outubro forte, o ano está atrasado. O Brasil embarcou 11,8 milhões de toneladas no terceiro trimestre, contra 16,8 milhões um ano antes, e as projeções para 2026 caíram de até 42 milhões no começo do ano para 37 a 38 milhões. Para chegar a 38, depois dos 25,87 milhões de janeiro a outubro, novembro e dezembro precisam somar perto de 12,1 milhões, ° ritmo próximo do recorde de 13,5 milhões do fim de 2023. A outra parte do atraso é preço. O milho brasileiro ficou caro para exportar frente ao argentino e ao americano. No começo de outubro, originar milho no interior pela BR-163 custava de 60 a 100 centavos acima do que o exportador conseguia pagar em Santos para novembro, de R$ 7 a R$ 12 por saca acima da paridade. ° A conta não fechava. A Argentina, com colheita perto de 70 milhões de toneladas e 87% do programa de exportação já registrado, oferece milho mais barato para o fim do ano, e o prêmio no Golfo do México empatou com o argentino. O resultado aparece no porto: o prêmio de Santos para novembro caiu de 114 para 80 centavos sobre Chicago desde julho, e o físico do interior começou a devolver, o que aproxima o milho brasileiro da paridade de exportação.
O sorgo entrou na pauta do porto
O porto ganhou um grão de ração novo. O sorgo, sem embarque registrado em 2025 na estatística dos exportadores, embarcou 1,01 milhão de toneladas de março a setembro de 2026 e tem 1,52 milhão programado para outubro, o que leva o ano a 2,53 milhões se a programação se cumprir. ° O comprador natural é a China, maior importadora de sorgo do mundo, onde ele entra sem a cota de importação que limita o milho. Somados, milho e sorgo têm 7,93 milhões de toneladas programados para outubro, 39% mais que o embarcado em outubro de 2025. ° É também um grão que disputa área com o milho de segunda safra.
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O recorde da Conab é de primeira safra, não de safrinha
O levantamento oficial projeta 148,02 milhões de toneladas de milho em 2026/27, alta de 2,4%. O crescimento está quase todo na primeira safra, que sobe 8,9%, para 32,1 milhões, com área 10,7% maior. A segunda safra, que é dois terços do milho brasileiro, cresce 0,4%: a área sobe 3,7% e a produtividade cai 3,2%, de 105,4 para 102,1 sacas por hectare. °
Por estado, o desenho fica mais duro. Goiás sobe 2,04 milhões de toneladas, com produtividade de segunda safra 14,9% maior depois de um ano ruim. Mato Grosso cai 678 mil e Mato Grosso do Sul cai 983 mil, os dois com produtividade de safrinha projetada para baixo, 5,9% e 9,5%. O levantamento está dizendo que os dois maiores estados de segunda safra vão colher menos por hectare, e isso numa primeira estimativa, antes de qualquer janela de plantio.
O balanço do mesmo levantamento é o número que vale guardar. Consumo interno de 104,81 milhões de toneladas, alta de 6,6%, puxado por etanol. Exportação de 46,02 milhões, alta de 4,8%. Somados, 150,83 milhões, 2,81 milhões acima da produção. ° O estoque final cai de 16,04 para 14,93 milhões de toneladas em 31 de janeiro de 2028. O Brasil vai consumir e embarcar mais milho do que colhe, e é recorde que não sobra.
Contra o relatório americano, a diferença é de 9 milhões de toneladas: o levantamento nacional em 148,0, o americano em 139,0. Na soja a divergência é de 4,4 milhões para o outro lado. Em nenhum dos dois grãos os dois levantamentos falam da mesma safra.
E lá fora o milho ainda tem lastro
Três fatos sustentam o piso em Chicago. As vendas externas da semana até 8 de outubro foram de 1,12 milhão de toneladas, alta de 46% sobre a semana anterior e a maior em cinco semanas. As inspeções de embarque nas seis primeiras semanas do ciclo são as maiores já registradas, quase 20% acima do recorde do ano passado. E o etanol moeu 1,07 milhão de barris por dia, com margem positiva em todo o cinturão. Um quarto sinal veio do físico: o prêmio do milho no Golfo do México firmou até empatar com o milho argentino, e a Europa, que teve seca de uma vez a cada cinquenta a cem anos, paga pelo milho bem acima de Chicago.
E o número que derrubou Chicago está sendo contestado. O relatório de 9 de outubro subiu a produtividade americana em 2,82 sacas por hectare, para 189,56, o maior aumento de setembro para outubro desde 2005. ° Só Nebraska saiu de 185 para 197 sacas por hectare em um mês, ° com a colheita do estado mal começada, e Illinois foi o único estado cortado. A relação entre estoque e consumo voltou para acima de 11%, contra menos de 10% no relatório anterior. Se a colheita de novembro não confirmar, o mercado vai devolver parte do que tirou.
O que falta é a colheita acabar. Milho americano em 33% colhido contra média de 39% na leitura de 13 de outubro, condição em 56% de boa a excelente, e 91% maduro. Com dez dias secos pela frente, a mesa espera metade colhida em uma a duas semanas, e a mínima de colheita costuma vir com dois terços no armazém.
O março da B3, referência da safra de verão, fechou a R$ 76,03, depois de trabalhar acima de R$ 80 nas semanas anteriores, e perdeu só 0,65% na semana enquanto o novembro perdia 2,81%. O mercado está precificando o grão de agora, não o grão de março. Em Chicago a leitura de mesa vê mais vinte a trinta centavos de espaço para baixo antes de o fundamento voltar a mandar, porque a safra mundial de 2026/27 é menor que o consumo.
O trigo de dezembro em Chicago fechou a sexta em 660 centavos, nas mínimas do movimento. O suporte técnico de 661 cedeu no último pregão, e a leitura de mesa aponta 650 como a próxima referência.
O Paraná fez o contrário. O trigo pão fechou a semana em R$ 1.571,18 por tonelada, alta de 0,54%, numa semana em que Chicago caiu e o dólar subiu. A razão saiu na quinta no levantamento oficial.
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De 7,87 para 5,73 milhões de toneladas
O levantamento oficial cortou a safra brasileira de trigo para 5,73 milhões de toneladas, 27,2% abaixo dos 7,87 milhões de 2025. A área caiu 21,1%, para 1,93 milhão de hectares, e a produtividade caiu 7,6%, para 49,6 sacas por hectare. ° Área menor e lavoura pior ao mesmo tempo.
O estrago é do Sul. O Rio Grande do Sul colhe 2,26 milhões de toneladas, 36,8% a menos, com a área caindo um terço. O Paraná colhe 2,16 milhões, queda de 21,9%, e Santa Catarina perde 34,4%. Minas Gerais, com trigo irrigado, sobe 9,6% e é o único estado relevante no positivo. O excesso de chuva da colheita no Sul virou número.
O balanço fecha com importação de 7,06 milhões de toneladas, contra 6,13 milhões em 2025, consumo de 12 milhões e estoque final de 1,06 milhão de toneladas em julho de 2027, o segundo menor da série recente. A indústria moageira trabalha com número maior: importação de até 9 milhões de toneladas, recorde, contra os 5,5 a 6 milhões de um ano normal. A diferença entre os dois é a qualidade: parte do que foi colhido não serve para pão, e trigo que não serve para pão é trigo que precisa ser importado de novo.
A própria indústria afasta o risco de desabastecimento, porque Estados Unidos, Canadá e Europa têm trigo. O que ela não afasta é o custo. No pão o efeito é pequeno, porque a energia responde por 85% do custo do pão e o trigo por uma fração, mas o repasse para a farinha vem em algum momento de 2027.
A Argentina tem trigo, e tem um problema
O vizinho colhe perto de 22 milhões de toneladas, quase recorde. Mas a indústria brasileira relata problema sério de qualidade no trigo argentino deste ano, o que empurra parte da importação para origens mais distantes e mais caras. Trigo argentino barato e ruim não substitui trigo brasileiro que não foi colhido.
O Mar Negro parou e a Rússia trocou de porto
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Os embarques pelo Mar Negro estão praticamente interrompidos. Quatro navios foram atingidos em águas búlgaras em duas semanas, dois afundaram, e o cessar-fogo de instalações de energia anunciado no fim de semana anterior durou uma noite. A Rússia respondeu como já tinha feito a Ucrânia em 2022: mudou a logística. Em setembro, de 2,5 a 2,7 milhões de toneladas de trigo russo exportado, de 1,4 a 1,6 milhão saíram pelo Báltico. Para outubro a estimativa é de 3 milhões, com 1,8 milhão pelos três portos do norte. Mais da metade do trigo russo já não passa pelo Mar Negro.
Isso tem dois efeitos. O primeiro é político: Letônia e Lituânia pediram à União Europeia a proibição de grão russo em portos do bloco, e se o pedido avançar a rota nova fecha também. O segundo é comercial: a licitação argelina desta semana, de 600 a 720 mil toneladas para embarque em dezembro, deve ter aceitado trigo russo do Báltico e possivelmente trigo argentino, e deixou o americano de fora. O trigo americano está 6% atrás do ritmo de exportação de que precisa.
A Ucrânia embarcou 3,13 milhões de toneladas de trigo na temporada contra 5,61 milhões um ano antes, queda de 44%, enquanto o milho ucraniano sai melhor que no ano passado por ferrovia. As duas casas russas de estimativa cortaram a safra para 88 e 88,5 milhões de toneladas. E o relatório americano de outubro cortou a exportação russa e ucraniana, mas cortou a importação mundial no mesmo tanto. É esse o motivo de Chicago não reagir: o relatório está dizendo que vai faltar oferta e vai faltar demanda na mesma medida.
Enquanto isso o Brasil, que em 2025 exportou 2,32 milhões de toneladas de trigo, exportou 970 mil até outubro de 2026, com o Quênia levando 24% e o Vietnã 20%. O país que exportava trigo em 2025 vai importar recorde em 2026.
O feijão: o menor estoque da série e dois números que não conversam
O feijão não está em Chicago, não tem câmbio na conta e não depende de China. É o grão em que o preço é inteiramente brasileiro, e por isso ele mostra, sem interferência, o que um balanço apertado faz. O estoque final do ciclo 2025/26 é de 98 mil toneladas, 3,7% do consumo anual, o menor da série recente. Para 2026/27 o balanço oficial projeta 136 mil, 5,1% do consumo, ° com produção de 2,93 milhões de toneladas, 0,7% abaixo do ciclo anterior, e consumo de 2,65 milhões. Um estoque que cobre treze dias de consumo é um mercado em que qualquer falha de safra vira preço na gôndola em semanas.
O preço já reflete isso. O carioca ao produtor está entre R$ 320 e R$ 330 no interior de São Paulo, entre R$ 310 e R$ 315 em Minas e entre R$ 315 e R$ 320 em Goiás, contra custo de produção de perto de R$ 200. O produto de melhor qualidade, nota 9 e peneira alta, negociou a R$ 360 na bolsa de São Paulo nesta semana, porque a terceira safra acabou e o que resta no mercado é produto ressecado ou com defeito. O preto está mais arrastado, entre R$ 260 e R$ 270 no Paraná e R$ 280 em São Paulo, com o Rio Grande do Sul praticamente sem oferta. No varejo o pacote de um quilo do carioca chega a R$ 12, e acima de R$ 10 o consumidor começa a migrar para outra variedade, o que é o único freio que esse mercado tem.
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Aqui entram os dois números que não conversam. O levantamento oficial projeta a primeira safra do Paraná em 112,7 mil hectares, alta de 8,4%, com 207 mil toneladas. A entidade do setor diz que o estado dificilmente chega a 88 mil hectares, a menor área em vinte anos, e que o plantio está em 15% quando deveria estar entre 20 e 25%, com lavouras implantadas já perdidas pelo excesso de chuva. Se o setor estiver certo, faltam perto de 45 mil toneladas só no Paraná, ° um terço do estoque final projetado para o ciclo inteiro. Em São Paulo a colheita sai úmida do campo, precisa de secador, e o produtor vende a R$ 300 ou R$ 320 o que poderia vender a R$ 350.
O que segura o balanço é a exportação. De janeiro a setembro o Brasil exportou 402 mil toneladas de feijão, contra 361 mil no mesmo período de 2025, caminhando para mais de 500 mil no ano. O crescimento é todo do feijão mungo, que foi de 179 mil para 304 mil toneladas, alta de 70%, vendido por contrato e com a Índia como principal destino. O feijão comum, que é o preto, o vermelho e o branco, caiu de 114 mil para 46 mil toneladas. O Brasil está exportando mais feijão, mas não o feijão que o brasileiro come, e essa é a razão de o preto não acompanhar o carioca.
O calendário é o mesmo do bloco de clima. A primeira safra está no chão no Paraná, em São Paulo e em Minas, e enche grão entre novembro e janeiro, exatamente a janela em que o fenômeno do Pacífico deve chegar ao pico. A segunda safra é plantada na virada do ano. Um feijão que entra em 2027 com treze dias de estoque não tem margem para errar nenhuma das duas.
Chicago caiu 9,30% em trinta dias e o trigo do Paraná subiu 1,74% no mesmo intervalo. São dois mercados que pararam de conversar. O de fora precifica estoque acumulado na origem que não consegue embarcar. O de dentro precifica um país que colheu 2,1 milhões de toneladas a menos e vai buscar 7 a 9 milhões no navio. O feijão conta a mesma história sem o câmbio no meio: estoque de treze dias, preço 60% acima do custo e uma safra que o setor vê menor do que o levantamento oficial. Enquanto a oferta doméstica não for reposta, trigo e feijão obedecem à escassez, não ao câmbio.
O dólar à vista fechou a semana em R$ 5,073, alta de 1,75% sobre os R$ 4,99 da sexta anterior. No caminho, tocou R$ 4,945, o menor nível desde maio, trabalhou perto de R$ 5,03 na quarta e saltou para R$ 5,087 na quinta, alta de 1,2% em um pregão, antes de devolver 0,28% na sexta.
Na semana anterior a moeda tinha caído 4,45%, e a causa estava clara: o mercado passou a precificar, a partir do resultado de 4 de outubro, um governo com compromisso de austeridade fiscal, e precificou isso com entrada estrangeira recorde na bolsa. Nesta semana a leitura não mudou, mas o preço dela mudou. A moeda recuperou pouco mais de um terço do que tinha caído, e recuperou quase tudo numa noite.
arraste para o lado
Em 2 de outubro o dólar fechava em R$ 5,22. Em 9 de outubro, R$ 4,99. Em 16 de outubro, R$ 5,07. A moeda ainda está 2,8% abaixo de onde estava antes do primeiro turno, ° e o que subiu nesta semana é correção de parte do movimento, não reversão. Para quem tem soja a fixar, cada ponto percentual de câmbio vale perto de R$ 1,50 por saca em Paranaguá, ° o que significa que a diferença entre o dólar de hoje e o de antes da eleição ainda é de pouco mais de R$ 4 por saca.
O que aconteceu na noite de quarta
O Senado aprovou, por 75 votos a 1, a emenda constitucional que acaba com a escala de trabalho de seis dias por um. O mercado leu custo: para a empresa, que paga a mesma folha por menos horas, e para a inflação, que recebe isso em serviço, supermercado e restaurante. No mesmo dia, pesquisas mostraram a disputa do segundo turno mais apertada, em 47 a 45, e o mercado de apostas deslocou dez pontos de probabilidade entre os dois candidatos. Na quinta de manhã o dólar abriu subindo e não parou até R$ 5,10.
arraste para o lado
A curva do dólar futuro
O novembro fecha a R$ 5,09, o março de 2027 a R$ 5,20, o julho de 2027 a R$ 5,31, o julho de 2028 a R$ 5,62 e o julho de 2030 a R$ 6,30. Não é previsão, é o preço de carregar a moeda com o juro brasileiro acima do americano. Mas é esse preço que o exportador recebe se travar hoje, e ele é mais alto que o dólar à vista em todos os vencimentos.
De fora veio o susto, de dentro veio o preço
O índice global do dólar foi à máxima de dezoito meses na quarta e o juro americano de dez e trinta anos tocou máximas de 24 anos. Mas as duas âncoras viraram antes da sexta: o índice global fechou a semana em 101,78, queda de 0,3%, e o juro de dez anos em 5,08%, 16 pontos-base abaixo da sexta anterior. O real fechou 1,75% mais fraco mesmo assim. O que sobrou da semana no câmbio brasileiro é doméstico.
Para o produtor, o quadro cambial tem dois lados declarados pela mesa, e os dois ficam registrados aqui sem escolha. Se o cenário que o mercado precificou em 5 de outubro se confirmar no dia 25, a leitura de mesa vê a moeda testando a faixa de R$ 4,70 a R$ 4,90. Se não se confirmar, vê a moeda voltando à média do ano, que é R$ 5,22. A diferença entre os dois extremos vale entre R$ 10 e R$ 16 por saca de soja no preço de Paranaguá. ° Nenhum relatório de oferta e demanda move tanto.
O dólar de R$ 4,95 era preço de expectativa. O de R$ 5,07 é preço de expectativa descontada por uma noite de votação. O que decide qual dos dois fica é o dia 25, e até lá as âncoras de fora explicam pouco do câmbio brasileiro.
A taxa básica está em 13,75% ao ano. O juro futuro para janeiro de 2027 fechou a semana em 13,49% e para janeiro de 2028 em 12,90%. A pesquisa de expectativas de 13 de outubro projeta 13,25% no fim de 2026 e 12% no fim de 2027, ou seja, dois cortes até dezembro. E o capital de giro de quem compra grão para estocar custa, segundo relato de mesa, perto de 20% ao ano.
arraste para o lado
Esses cinco números explicam o bloco do milho melhor do que qualquer relatório de safra. Quem compra milho para formar estoque paga 20% ao ano pelo dinheiro e espera que o dinheiro fique mais barato depois do dia 25. Então não compra agora. E quem vende milho segura, porque o preço caiu. O mercado parou nos dois lados pelo mesmo motivo, que é o custo do dinheiro.
A conta de quem espera
A 20% ao ano, carregar uma saca de milho de R$ 65 custa R$ 1,08 por mês. ° Esperar três meses custa R$ 3,25. Nesta semana o preço caiu R$ 2,50. Ou seja, o comprador que esperou uma semana economizou mais do que gastaria carregando o grão por dois meses. Enquanto a conta fechar assim, ele continua esperando, e cada semana de espera empurra o preço um pouco mais para baixo. É um ciclo que o juro alimenta e que só o juro quebra.
O produtor está do outro lado da mesma mesa
A leitura de mesa desta semana descreve o crédito rural como o pior em oito ou nove anos, com produtores de bom histórico tendo o limite cortado pela metade e alguns em 70 a 80%. Não é falta de instrumento. O crédito direcionado existe, o Plano Safra existe, a taxa equalizada existe e funciona para quem a acessa. O que falta é dinheiro passando pelo instrumento, porque a captação do sistema caiu dois anos seguidos e o banco, com taxa básica em dois dígitos há mais de quatro anos, corta limite antes de cortar margem.
O que o juro vale na saca
Para o produtor, o juro vale mais que o câmbio. Cada ponto de taxa básica a menos é cerca de R$ 0,45 por saca de soja de custo financeiro a menos todo ano numa operação alavancada em 30%. ° Dois cortes de um quarto de ponto são R$ 0,22. O ajuste fiscal completo, se vier, vale o caminho de 13,75 para 8 ou 9, e esse caminho vale perto de R$ 2,40 por saca por ano. O câmbio tira e devolve em uma semana. O juro, quando cai, fica.
O comprador de milho paga 20% para carregar e o produtor paga dois dígitos para plantar. Entre os dois está um grão que ninguém quer segurar e ninguém quer comprar. O preço que resolve isso não é o de Chicago nem o do dólar, é o do dinheiro. E ele tem data para começar a mudar: a reunião de política monetária de novembro, a primeira depois do dia 25.
A ureia subiu 2,13% em dólar, para US$ 480 por tonelada posta no Brasil, com ofertas chegando a US$ 500 no fim da semana, e o dólar subiu 1,75%. Em reais, a tonelada de ureia foi de R$ 2.343 para R$ 2.435, alta de 3,9%. °
arraste para o lado
A Índia quis comprar barato e não achou vendedor
A licitação indiana de ureia tinha criado, na semana anterior, a expectativa de uma onda de baixa. A expectativa durou uma semana. A Índia buscava 1,7 milhão de toneladas e assegurou 410 mil, mesmo depois de estender o prazo várias vezes para que os ofertantes aceitassem os preços mais baixos, de US$ 352 a 356 por tonelada posta na costa indiana. Os vendedores não aceitaram. A conta não fechava para eles nesses níveis.
O resultado é o inverso do que o mercado esperava. Com a Índia comprando um quarto do que queria, ela volta ao mercado em breve com a mesma necessidade, e o vendedor sabe disso. A ureia chinesa, entre US$ 475 e 480, segue sendo a origem mais barata, e por isso a projeção de importação chinesa para 2026 subiu.
Por trás disso há um movimento europeu. O gás natural na Europa está entre os níveis mais altos desde 2022, o que tira competitividade da produção europeia e abre espaço para o Egito, que vendeu a US$ 530 na semana, contra US$ 480 a 490 na anterior. O que não vai para a Europa é o que sobra para o Brasil, mais caro.
Os fosfatados subiram mais que a ureia
O superfosfato simples 19% subiu 4,00%, para US$ 260, e o 20% subiu 3,70%, para US$ 280, com embarques futuros entre US$ 290 e 300. O sulfato de amônio subiu 2,00%, para US$ 255, depois de três semanas parado, e o nitrato de amônio ficou em US$ 395.
Na semana de 5 a 9 de outubro o câmbio devolveu R$ 194,80 por tonelada de MAP. Nesta semana ele tirou R$ 74 de volta, e a ureia subiu em dólar por cima. ° O adubo é o único item da conta do produtor que se mexe com o câmbio no dia, para cima e para baixo. A saca não. Por isso a semana que empatou na soja perdeu no adubo.
O Brent subiu 4,91% e o petróleo americano 10,41% na semana, como mostrou o painel, e o motivo é o mesmo de setembro, com um grau a mais. Projéteis atingiram aeroportos sauditas, incluindo Riad, e um americano morreu em base militar saudita. O oleoduto que leva petróleo do Golfo ao Mar Vermelho está sob ataque há quase um mês, e os carregamentos em Yanbu, que é o porto por onde sai o diesel para a Europa, começaram a subir. O estreito de Ormuz opera em torno de três quartos do fluxo de antes da guerra, com dias bem piores quando há ataque a petroleiro. É a oferta física de petróleo voltando ao centro do risco, depois de meses em que o problema era transporte.
arraste para o lado
O diesel russo volta ao mercado por outra porta
Em um mês a Rússia tinha saído de 31,4% para 6,5% das importações brasileiras de combustível, e os Estados Unidos tinham subido para 68,7%. O fator marcado no calendário era o fim do banimento russo de exportação de diesel em 31 de outubro. Esse fator mudou de forma. Em 9 de outubro os Estados Unidos fecharam com a Rússia um acordo de diesel: 300 mil toneladas imediatas, 500 mil em novembro e 1 milhão de toneladas por mês a partir daí, com alívio das sanções do Tesouro americano até 7 de abril de 2027.
O diesel futuro caiu cerca de 4% no dia do anúncio, e a leitura de mesa estima que a Rússia tem entre 1,2 e 2 milhões de toneladas por mês de diesel exportável. Para o Brasil, que agora compra dois terços do combustível importado dos Estados Unidos, o efeito chega pelo fornecedor: se o diesel russo entra no mercado americano, o americano tem mais para vender, e o preço que o Brasil paga é o preço americano. O diesel na bomba americana estava em US$ 6,33 o galão na sexta, o equivalente a US$ 1,67 por litro, 73% acima de um ano antes e só 3% abaixo do recorde de 24 dias antes, e é desse nível que o acordo tenta tirar.
O que chega ao produtor brasileiro
O diesel foi o item de combustível que mais subiu dentro da inflação brasileira de setembro, e ele chega ao produtor duas vezes: no frete da saca que sai e no insumo da lavoura que entra. Com o Brent subindo quase 5% na semana e o dólar 1,75%, a paridade de importação do diesel subiu perto de 6,7% em reais em cinco pregões. °
O acordo russo libera 300 mil toneladas agora e 1 milhão por mês a partir de dezembro, e o plantio brasileiro consome diesel agora. O alívio tem data, o custo já chegou. Até lá a paridade sobe com o Brent e com o câmbio, e o único amortecedor do produtor é o atraso com que a bomba brasileira acompanha a paridade.
Em 2 de outubro o levantamento oficial tinha a soja brasileira em 9,4% semeada. Em 16 de outubro, o levantamento privado de campo mede 30,38% da área plantada, contra 22,80% na mesma data de 2025, 17,06% em 2024 e 21,28% na média de cinco anos. É o ritmo mais rápido da série para este ponto do calendário, e a diferença para a média é de nove pontos percentuais, o equivalente a 4,4 milhões de hectares de soja que já estão no chão e no ano normal ainda não estariam. ° A primeira safra de milho está perto de 85% plantada.
arraste para o lado
O mapa diz onde está a pressa. Mato Grosso tem 51,9% plantado, o Paraná 46,7%, Mato Grosso do Sul 41,3%, Rondônia 38,9% e Goiás 35,6%, todos acima da média nacional. Os grandes avanços da semana vieram de Mato Grosso, Goiás, Bahia e Mato Grosso do Sul, onde a chuva voltou. Na outra ponta, o Paraná avançou pouco na semana pelo excesso de chuva, Minas está em 12,1%, São Paulo em 10%, Santa Catarina em 5,1% e o Rio Grande do Sul em 1,4%, dentro do calendário gaúcho, que começa mais tarde. Para o milho, quanto mais cedo a soja entra no Centro-Oeste, mais aberta fica a janela da segunda safra.
Onde choveu demais e onde choveu de menos
O Paraná plantou rápido e agora espera sol. No oeste do estado as lavouras estão amareladas por falta de luz, o solo está encharcado e os rios Paraná e Iguaçu estão cheios depois de um outubro com chuva muito acima da média. Santa Catarina teve o primeiro sol depois de um período longo fechado, com frio atrasando o início da safra. O Rio Grande do Sul está calmo. No Sul o problema é excesso, e excesso com frio: há geada com temperatura negativa prevista para o topo do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Campos de Palmas entre domingo 18 e terça 20.
Mato Grosso é o oposto. A semana anterior foi quente e seca, a chuva voltou nos últimos dias, e o produtor plantou onde conseguiu. Há replantio em parte do médio-norte por falha de germinação e vigor baixo de semente. A anomalia de chuva dos últimos trinta dias é de 140 a 150 milímetros abaixo da média no Norte agrícola e 140 a 150 acima no Sul. O país está dividido ao meio pela chuva.
O Pacífico em número
A região de referência do Pacífico está 2,6 graus acima da média, entre 2,5 e 2,7 desde 18 de setembro. A costa do Peru está quase 5 graus acima. É El Niño forte, consolidado, com pico projetado entre outubro e janeiro acima de 3 graus e força até o meio de 2027.
Há divergência declarada sobre Mato Grosso. Os dois modelos globais concordam em chuva boa em Goiás e Mato Grosso nas próximas três semanas, com a Argentina mais seca. Mas a leitura de mesa brasileira diz que, a partir de 1º de novembro, os modelos não estão otimistas com chuva regular em Mato Grosso e no Norte. Novembro é o mês que decide, e as duas leituras concordam nisso. A leitura de mesa americana acrescenta o porquê: com o El Niño se fortalecendo, ela espera tempo mais quente e seco no Brasil central da segunda quinzena de novembro até dezembro, e é entre o fim de novembro e o início de janeiro que a maior parte da soja forma vagem.
O que os anos parecidos fizeram
Nos El Niños de 2015/16 e de 2023/24, os estados afetados perderam 15% da soja nas duas vezes. Hoje o potencial nesses mesmos estados é de 106 milhões de toneladas, e a perda possível, se o padrão se repetir, fica entre 10 e 20 milhões de toneladas. Na segunda safra de milho, os mesmos dois anos derrubaram o potencial em 30% e em 12%.
arraste para o lado
A janela que define a segunda safra de milho está aberta e sendo usada. O que o Pacífico vai decidir é se a soja que entrou no chão em outubro forma vagem com chuva regular entre o fim de novembro e janeiro. É nessa janela que os anos parecidos tiraram 15% da soja dos estados afetados.
A pesquisa semanal de expectativas, antecipada para terça pelo feriado, elevou a inflação projetada de 2026 para 5,22%, quarta alta seguida e acima do teto da meta, e mesmo assim cortou a taxa básica projetada para o fim do ano de 13,50% para 13,25%, com 12% em 2027. O dólar projetado para dezembro caiu de R$ 5,20 para R$ 5,15, na primeira coleta feita já com a moeda abaixo de R$ 5,00. O crescimento ficou em 1,85%.
O índice de atividade do banco central subiu 0,3% em agosto, mas o dado trimestral segue fraco e as projeções de mesa apontam retração do produto no terceiro trimestre. É a economia que o Plano Safra financia crescendo menos que o agro: no trimestre anterior a indústria tinha feito 0,1%, os serviços 0,2% e o agro 2,8%.
O índice da bolsa fechou em 205.430 pontos, queda de 1,74% na semana, depois de duas semanas de alta e de uma entrada estrangeira de R$ 13,15 bilhões na semana anterior. O juro futuro recuou um pouco. A bolsa devolveu, o juro não. O mercado de ações reprecificou o risco e o de juros manteve a aposta de corte.
A mistura de etanol na gasolina saiu de 30% para 32% depois do início da guerra e o governo testa 35%, como medida de preço na bomba. Cada ponto de mistura é mais milho moído em etanol, e o consumo interno de milho projetado para 2026/27 sobe 6,6%.
Inflação subindo e juro projetado caindo só fecham com uma premissa: o mercado acredita que o ajuste fiscal que começou a precificar em outubro vai acontecer, e que é o ajuste, não o índice de preços, que derruba o juro. A noite de quarta no Senado foi o primeiro teste dessa premissa.
A pesquisa de expectativas cortou o dólar projetado em cinco centavos e a moeda tinha caído vinte e três. O consenso cedeu um quinto do que o preço cedeu. Quando o consenso se move menos que o preço, ele não acredita que o preço fique, e nesta semana o preço começou a lhe dar razão.
A inflação americana ao consumidor fechou setembro em 3,7% em doze meses, quase o dobro da meta de 2%, com a gasolina subindo 9,1% no mês pela guerra. O índice global do dólar foi à máxima de dezoito meses no mesmo dia, mas fechou a semana em 101,78, queda de 0,3%.
O índice de preços ao produtor subiu 1,3% em setembro, a maior alta mensal desde março de 2022, contra 0,5% esperado, e acumula 6,3% em doze meses, contra 5,6% em agosto. Energia subiu 11% no mês, gasolina 20% e diesel 21%. É o maior nível de inflação de atacado desde dezembro de 2022.
Os títulos de dez e de trinta anos tocaram máximas de 24 anos e reverteram na quinta, com o dinheiro saindo de ações de tecnologia para renda fixa. A probabilidade de alta de juro na reunião de 28 de outubro caiu para cerca de 30%, e a de uma alta até dezembro ficou pouco acima de 50%. Inflação quente com aposta de juro esfriando é o mercado lendo energia, não economia aquecida.
Dois leilões domésticos de 418 mil e 404 mil toneladas abrem espaço para importação, e a estatal de grãos avisa que está acima da capacidade de recebimento. A economia segue em dois ritmos: exportação e indústria crescendo, consumo e imóvel fracos.
O atacado americano deu a maior alta mensal em quatro anos e a aposta de juro esfriou no mesmo dia. O mercado decidiu que inflação de diesel e gasolina não se combate com juro, porque juro não produz petróleo.
arraste para o lado
Para o grão o efeito é duplo. Juro que não sobe é dólar global que para de subir, o que ajuda o preço. Inflação de energia que fica é custo que fica. A commodity agrícola ganha no preço e perde no custo, e nesta semana perdeu mais do que ganhou: diesel, ureia e frete subiram, e o grão caiu.
O extrato mede a posição de terça-feira, 13 de outubro. É a primeira leitura montada já com o relatório de oferta e demanda de 9 de outubro digerido, e com o pregão de limite de baixa do milho dentro da janela.
| Mercado | Comprada | Vendida | Líquida | Variação | Posto |
|---|---|---|---|---|---|
| Milho | 321.331 | 90.454 | +230.877 | −86.482 | 58/250 |
| Soja | 272.905 | 35.414 | +237.491 | −14.169 | 7/250 |
| Trigo SRW | 85.818 | 118.856 | −33.038 | −3.495 | 81/250 |
| Trigo HRW | 59.844 | 42.453 | +17.391 | −6.649 | 58/250 |
| Trigo HRSpring | 16.407 | 6.870 | +9.537 | −2.132 | 41/250 |
| Agregado | 756.305 | 294.047 | +462.258 | −112.927 | 38/250 |
arraste para o lado
O agregado dos cinco mercados caiu 112.927 contratos, depois de ter caído 69.075 e 85.214 nas duas semanas anteriores. São 267.216 contratos desfeitos em três semanas, e o agregado saiu do décimo oitavo maior de 250 semanas para o trigésimo oitavo. Ainda é posição grande. Já não é posição cheia.
O milho teve a oitava maior saída semanal em 250 semanas
O milho perdeu 86.482 contratos de posição líquida em uma semana, com o lado comprado caindo 62.919 e o vendido subindo 23.563. É a oitava maior liquidação semanal da série, e em duas semanas o milho perdeu 146.973 contratos, 39% da posição que tinha em 29 de setembro. A posição saiu do trigésimo terceiro maior da série para o quinquagésimo oitavo.
arraste para o lado
E a soja, que tinha recebido dinheiro novo, devolveu
Na semana anterior a soja tinha subido 10.496 contratos com posição em aberto subindo 35.528, o desenho clássico de dinheiro novo entrando. Nesta semana o sinal virou: a soja perdeu 14.169 contratos líquidos com a posição em aberto caindo 49.606. Posição em aberto caindo com líquida caindo é liquidação, não troca de lado. A rotação de milho para soja que a semana anterior sugeria durou exatamente uma semana.
Mesmo assim a soja fecha com 237.491 contratos comprados líquidos, a sétima maior posição de 250 semanas. O dinheiro saiu da soja devagar e do milho correndo, e isso diz onde ele enxerga o balanço mais frouxo. O trigo mole aprofundou a aposta de baixa em 3.495, para 33.038 vendidos líquidos, e os dois trigos duros perderam posição comprada.
Do outro lado da tela, o comercial comprou de volta
Quem precisa do grão físico fez o oposto do fundo. Em milho, o comercial reduziu a venda em 47.533 contratos e aumentou a compra em 34.197. Em soja, reduziu a venda em 36.974. O fundo vendeu para o comercial, e o comercial só compra de volta quando acha que o preço físico que ele vai pagar na colheita está abaixo do preço de tela. É a mesma leitura do prêmio firme no Golfo: o grão está mais apertado no físico do que a tela diz.
E o que o extrato ainda não mostra
O corte é de terça 13. A quarta, a quinta e a sexta tiveram três vendas relâmpago para a China, o rompimento da média de cinquenta dias na soja e o fechamento abaixo da média de duzentos dias no milho. A leitura técnica de mesa é que o fundo precisa pagar o custo de rolar a posição de novembro para janeiro na soja, e que a posição comprada de soja deu lucro enquanto a de milho deu prejuízo. Fundo rola o que deu lucro e desfaz o que deu prejuízo. O próximo extrato, com referência de 20 de outubro, diz se a soja segue sendo rolada ou se começou a ser desfeita como o milho.
O extrato confere a leitura de mesa: ela estimava venda de 63 mil contratos de milho só no pregão do relatório, e a semana até terça somou 86 mil, porque a venda continuou depois dele.
Em três semanas o dinheiro administrado desfez 267 mil contratos de aposta de alta em grão, e o milho de Chicago caiu 11,5% em trinta dias. A liquidação de posição cheia tem começo, meio e fim, e o fim costuma vir quando o comercial termina de comprar. O comercial comprou de volta 47 mil contratos de milho nesta semana. Quando ele parar de comprar, o fundo não terá mais para quem vender, e é nesse ponto que o preço encontra o chão.
Horários de Brasília. A semana abre com o mercado reagindo ao debate de domingo e fecha com a eleição no outro domingo.
| segunda 19/10 | Primeiro pregão depois do debate de domingo 18. O câmbio reage na abertura, e com ele o preço em real de toda a saca. Às 17h, progresso de safra americano, com a colheita de milho esperada acima de 50%. Às 16h, comercialização de soja, milho e algodão de Mato Grosso. |
| terça 20/10 | Segundo leilão doméstico chinês de soja, de 404 mil toneladas, que abre espaço para mais importação. Referência do próximo extrato de posição de fundos, o que diz se a soja seguiu o milho. |
| quinta 22/10 | Vendas semanais americanas às 9h30, a primeira leitura que incorpora as três vendas relâmpago de 14, 15 e 16 de outubro. É o número que confirma ou não as 1,36 milhão de toneladas para a China. Estoques de petróleo às 11h30. |
| sexta 23/10 | Vencimento das opções de novembro de soja em Chicago, com muita posição aberta no exercício de 1.250 centavos. IPCA-15 de outubro às 9h, o primeiro termômetro da inflação depois da emenda do Senado. Posição de fundos com referência de 20 de outubro. Confinamento americano às 16h. |
| domingo 25/10 | Segunda rodada da eleição. É a data que o câmbio vem precificando desde 5 de outubro, e a que define se a moeda volta à faixa de R$ 4,70 a 4,90 ou à média do ano, de R$ 5,22. Entre os dois extremos há de dez a dezesseis reais por saca de soja. ° |
| segunda 26/10 | Primeiro pregão depois do segundo turno. O câmbio precifica o resultado na abertura, e com ele a saca de soja em real. Às 17h, progresso de safra americano. |
| terça 27/10 | Transações correntes e investimento direto de setembro, o fluxo que o bloco do dólar acompanha. Abertura de mercado com o resultado do domingo já contado. |
| quarta 28/10 | Decisão de juros do banco central americano à tarde, com cerca de 30% de probabilidade de alta. É o que define o juro longo que desconta a saca, e vem dois dias depois da eleição brasileira. |
| quinta 29/10 | Produto interno do terceiro trimestre americano e índice de inflação que o banco central de lá acompanha. Decisão de juros da zona do euro. No Brasil, emprego formal de setembro e índice geral de preços de outubro. |
| 1 a 15/11 | Primeira quinzena de novembro, a que a leitura de mesa aponta como decisiva para a soja: se vier chuvosa como outubro no Centro-Oeste, o físico segue o padrão de outubro. Se vier irregular em Mato Grosso, o Pacífico começa a entrar no preço. |
| 5/11 | Reunião de política monetária brasileira, a primeira depois da eleição. Com a pesquisa de expectativas projetando dois cortes até dezembro, é aqui que o custo do dinheiro que trava o milho começa, ou não, a mudar. |
| 10/11 | Relatório americano de oferta e demanda de novembro, com a leitura de produtividade de milho que o mercado contesta desde outubro. Levantamento nacional seguinte da safra 2026/27 na semana de 12 de novembro. |
| 10/1 | Fim da trégua comercial entre Estados Unidos e China, no mesmo dia em que a colheita brasileira de soja começa a ganhar volume. A tarifa adicional de 10% sobre a soja americana vale até lá, e o que vier depois define o prêmio de fevereiro. |
arraste para o lado
Fica em aberto: se as três vendas relâmpago da semana são o início de um ritmo chinês de compra ou um lote isolado, quanto dos 6,16 milhões de toneladas sem destino declarado é China, se o comprador doméstico de milho volta ao mercado antes ou depois de o custo do dinheiro mudar, se os 16 milhões de toneladas de soja velha ainda sem dono saem antes da colheita nova, se a primeira safra de feijão do Paraná fica nos 112,7 mil hectares oficiais ou nos 88 mil que o setor enxerga, se o plantio mais rápido da série se converte em janela larga para a segunda safra de milho ou esbarra em um novembro irregular em Mato Grosso, e se a soja argentina, plantada mais cedo e em área maior na zona núcleo, chega à janela de abril disputando preço com a brasileira.
Fontes desta edição
Fechamentos: contratos nomeados de Chicago e da B3 em 9 e 16 de outubro de 2026, variação calculada pela casa com os dois fechamentos. ° Variação das commodities: coluna mensal da plataforma de cotações e colunas semanal e mensal da apuração internacional, capturas de 17 de outubro com dados de 16. Preço doméstico: indicadores Cepea e Esalq, 9 a 16 de outubro. Câmbio: dólar à vista de 9 e 16 de outubro, mínima da semana em pregão, curva futura, índice global do dólar e juro americano em 16 de outubro. Posição de fundos: arquivo bruto da comissão americana de futuros, classificação Disaggregated, futuros e opções combinados, referência de 13 de outubro, régua própria de 250 semanas desde 4 de janeiro de 2022. Safra brasileira: primeiro levantamento nacional da safra 2026/27, de 15 de outubro, planilha oficial por produto, por estado e balanço de oferta e demanda, feijão incluído. Feijão: preços por praça, custo, exportação por variedade e área do Paraná por leitura de mesa e de entidade do setor em 16 de outubro. Embarques: associação dos exportadores, semana 40. Safra americana: progresso de safra de 13 de outubro, vendas externas e relâmpago, esmagamento de setembro. Projeções: pesquisa semanal de expectativas do banco central, boletim de 13 de outubro. Argentina: zona núcleo, 15 de outubro. Comercialização: levantamento privado de outubro, por estado. Fertilizantes e físico: apuração de mesa de 16 de outubro, preço CFR Brasil por produto, licitação indiana, ofertas de porto e de interior como referência anônima de praça. Inflação americana: índices ao consumidor e ao produtor de setembro, divulgados em 14 e 15 de outubro. Energia: apuração internacional de 17 de outubro e acordo de diesel de 9 de outubro por leitura de mesa. Clima: leitura meteorológica de 16 de outubro e modelos americano e europeu. Plantio: levantamento privado de 16 de outubro. Símbolo °: valor calculado pela Conte$to Agro a partir das fontes declaradas.
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Conte$to Agro Executive, Edição 12+1, semana de 13 a 16 de outubro de 2026. Análise por Jonas Oliveira, Avaré, São Paulo. Este material é informativo e analítico, destinado a apoiar a leitura de mercado de quem decide. Não constitui recomendação de compra, de venda ou de qualquer operação financeira, e não substitui assessoria profissional individualizada. As cotações apresentadas referem-se às datas declaradas em cada bloco e podem ter mudado desde a publicação. Projeções e cenários são estimativas sujeitas a erro, e valores calculados estão marcados com o símbolo de grau. Decisões comerciais e financeiras são de responsabilidade exclusiva de quem as toma.